sábado, 7 de janeiro de 2012

Concurso da Polícia Federal 2012: Verdades que preocupam



Diante da proximidade do novo concurso, a Polícia Federal passou a ser assunto corrente em diversos sites, fóruns e redes sociais. E isso tem deixado nem somente a mim, mas outros indivíduos que militaram durante anos nas fileiras do DPF, bastante apreensivos.




É fácil perceber o "gás" dos aspirantes. E isso é muito importante para a instituição. Entretanto, leio comentários de postulantes ao cargo de Delegado, nos quais fica clara a vontade de aumentar ainda mais o abismo que existe entre os "Deltas" e os ouros servidores do Departamento.




Meus caros,




É óbvia a importância do cargo de Delegado de Polícia Judiciária no nosso país, que se acostumou ha mais de 500 anos com as figuras "mor". Capitão-mor, Ouvidor-mor, Não sei o que lá-mor...o brasileiro sempre precisou de uma referência de poder, para se sentir atendido em seus anseios.




Lembro bem de quando eu era coordenador de migração em Niterói e as pessoas pediam para falar com o chefe (que, no caso, era eu). Quando eu aparecia de camisa pólo e calça jeans e dizia: "Pois não?", as pessoas pediam novamente para falar com o chefe. Independente da classe social, a maioria parece não estar preparada para um gestor que seja um simples ser humano, cidadão comum...é preciso a figura de um engravatado para dar aquela sensação de poder.




Na polícia federal esse conceito é amplamente difundido. Certa vez ouvi de um Delegado que o nome das unidades é "Delegacia", justamente porque o cargo é o mais importante. Que se o cargo de Agente tivesse importância, o nome das unidades seria "Agência". Mas isso é uma idéia DELE e de mais alguns de pensamento medíocre.




Hoje existe uma nova geração de Delegados muito comprometida em fazer do DPF uma instituição moderna. Mas dentro da própria ANP existe a aberração chamada guerra de categorias. Quando eu estava no Curso Especial de Polícia, coisa de antigão, para ser Classe Especial, frequentávamos a Academia com os alunos da formação. Acreditem ou não, uma vez na fila da cantina para comprar uma água, percebi um aluno de camisa azul querendo furar a fila. Pedi gentilmente que ele prestasse atenção na fila e ele respondeu que tinha prioridade porque era do curso de Delegado. Na hora eu ri da cara dele. Um fedelho que nem polícia era ainda, querendo tirar aquela onda comigo e outros colegas com mais de 10 anos no Departamento.



E assim meus amigos, leio coisas sinistras, que mostram claramente a intenção de alguns candidatos, de aumentar ainda mais esse "racha". Privilégios de magistrado para os Deltas...



Que eu lembre, Delegado é policial...se quiser ser juiz, estude para isso. Polícia não é magistrado. Têm que acordar para a realidade. Precisamos modernizar nosso sistema de investigação. Se não querem dar fim aos Inquéritos, devem pensar em uma forma de torná-lo ágil. O índice de condenação é baixo e isso é um dado da ABMF, divulgado por seu próprio presidente.



No mundo inteiro, o trabalho policial é estritamente de EQUIPE. As promoções ocorrem por merecimento e pela quantidade de estudos do policial. Nos países que PENSAM, é inconcebível um indivíduo entrar em uma instituição para ser chefe de outros com mais de 20 anos de casa. Por sorte, boa parte desses jovens têm idéias sensatas e buscam uma interação ordenada com o cenário que temos.



Então, meus caros,



Mesmo antes de entrar neste DPF, preparem-se para encarar isso, que tem sido razão de pedidos mil de exoneração do órgão, que é uma das instituições da União, que mais teve baixas com demissões voluntárias nos últimos anos.



Mas saibam que EU ACREDITO em um futuro melhor. Chegará uma hora que a sociedade perceberá o tamanho das incoerências e EXIGIRÁ uma polícia mais moderna e voltada, efetivamente para atender o CIDADÃO. É questão de tempo... Espero poder ver isso com meus próprios olhos.



E vocês, ASPIRANTES, terão papel fundamental nisso.



Sigamos adiante.






Edital à vista



9 comentários:

  1. Sandro,
    Lamentavelmente, no Brasil o pensamento acadêmico e social é em certa medida "subproduto de uma sociedade COLÔNIAL". Grande parte da "elite" brasileira ainda está atrelada há arcáica noção de que o poder pode tudo, inclusive quebrar regras. Esses alimentam essa idéia como se fosse uma verdade absoluta.
    Consequência disso podemos perceber em atitudes descabidas e inconsequêntes, como a relatada no texto.
    Eu acredito que teremos que lutar muito contra esse tipo de comportamento. Se depender da nova geração de APFs e EPFs, garra, disposição e inspiração, em você principalmente, não vai faltar!

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  2. É verdade, Sandro.
    Imagina a espécie de policial que este candidato a delta furador de fila deve ser hoje. Pior, imagine a espécie de cidadão que deve ser. Deve ser "carteirada" o tempo todo por aí. E isto é lamentável.
    Aliás, antes de eu comentar o post em si, aí está uma das motivações de certos candidatos aos cargos do DPF que mais me irrita: a marra, a onda e a oportunidade de dar "carteirada". É claro que aquele orgulho inicial faz parte, somos seres humanos. Mas usar do cargo para ter benifécios desnecessários, para entrar em boates e tirar onda com a cara dos outros é odioso. Quer saber, use a sua carteira funcional para dar palestras educativas aos cidadãos, em escolas...
    Use a sua funcional para proteger o cidadão quando surpreender alguém sendo furtado na rua...
    A grande maioria (desculpe o termo, sandro) destes babacas que querem tirar onda, tenderá a se esconder quando tiver de usar a mesma funcional em situações que possam causar riscos a própria vida.

    Sobre o post em si, meses atrás estava no site da LAPD, e é notório o como todos tem oportunidade de crescer! Todos começam em patrulhamento ostensivo das ruas ("Oficiais"), e após chegarem ao topo deste estágio, podem optar entre o cargo de Detetive (investigativo) e Seargent/Lieutenant (acho), que coordena os oficiais.
    Resumindo: todos podem chegar ao cargo máximo!
    Na verdade, a própria divisão de PC e PM já é um questionável, no caso do Brasil.

    Este "racha" de carreiras levado aos últimos extremos é ridículo. É um problema de bom-senso mesmo!
    Pois mesmo não concordando com esta estrutura citada de Delegados assumirem cargos de chefia sem experiência, o que cabe a nós, enquanto esta situação não é contornada, é respeitarmos uns os cargos dos outros, e não valer-nos do cargo para desrespeitar o colega, comprometendo um dos princípios mais basilares (que mesmo eu sou capaz de identificar)em um organismo policial, que é o espírito de corpo.
    É um desabafo! Sei que uma vez dentro do DPF, serão inevitáveis tais embates, mas, independentemente de eu discordar com esta divisão de carreira do DPF, acho que o respeito e a união devem prevalecer. Pena que muitos não pensem assim.

    Mas enfim, apenas murmurar e nada fazer não vale de nada.
    Como você disse, sandro, caberá a nós, lutarmos por uma mudança nesta situação (com respeito, repito).
    O DPF tem defeitos e muitos problemas, mas se um dia a coisa realmente mudar, terá de ter partido de pessoas dispostas a isso. E eu quero fazer parte disso!
    A ideia é esta: esta nova geração com um gás novo valer-se dos "tijolos" já colocados pela atual (e você faz parte disso, sandrão), e lutar para melhorar no que for possível, nunca esquecendo que antes de pensarmos em nós, devemos lutar e honrar pela brusa preta com letras douradas em prol de quem nos paga (inclusive nós mesmos): o cidadão.

    Antes de policial, seremos SERVIDORES PÚBLICOS, e trabalho minha mente desde já, para caso um dia tenha a honra de carregar a Glock na minha cintura e a funcional no meu bolso, nunca esquecer que fui empossado em um cargo que tem como um dos deveres, trabalhar pelo cidadão.

    Falar é mole, eu sei. Mas sempre quando eu estiver no limite, quero me lembrar disso.

    Abção Sandrão. Posts excelentes como sempre. O "amigo" não é apenas o que incentiva, mas o que manda a verdade na cara. E nesse caso, sabemos que nunca faltarão sapos a serem engolidos no DPF
    :)

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  3. Concordo com vc, o trabalho policial tem que ser um trabalho de equipe, sem essa coisa de "sou melhor" ou "você sabe com quem está falando?".

    Quero ser Delegada da PF mais que tudo na minha vida, tenho renunciado muita coisa para poder me preparar para esse concurso, só eu sei... Mas não quero ser apenas uma chefe, quero fazer parte de uma coisa maior que um grande EGO, quero fazer parte de uma equipe.

    Mas é óbvio que quem almeja um cargo de delegado procura uma posição de liderança, o problema é como vai ser trabalhada essa liderança.

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  4. grande sandro, enquanto a 'polícia' se perde nessa ridícula e infantil briga de 'camisas', a criminalidade se organiza, fundindo-se as quadrilhas pra criarem corporações marginais. inútil e estéril o racha de cargos! veremos oq faremos no futuro. forte abraço, força e fé sempre pelo caminho!

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  5. Infelizmente, ainda temos esse tipo de servidor nas instituições.
    Nós, que somos aspirantes a policiais, deveremos desde já aprender com os erros de quem deveria dar o exemplo e infelizmente não dá.
    Tenho a infelicidade de conhecer pessoas que estão se candidatando a profissão de policial, com essa medíocre idéia, pois só estão em busca de um "status", uma funcional e uma pistola.
    Devemos ter conciência que ao entrarmos, deveremos saber que à frente de uma funcional e uma arma de fogo, encontra-se um "ser humano", igual a todos os outros, independentemente de um privilégio em ser policial.
    Polícia não é para quem quer "tirar onda", ser policial é ter amor pela instituição, é ter a gratidão de vestir todos os dias o fardamento, é saber que temos o privilégio em poder proteger a sociedade, e não ser mais um a estragá-la, causando indignação, e até mesmo ser chamado de mais um que não presta.
    Infelizmente já tive o desprazer de ter uma desinteligência com um policial, causada por essa prepotência desnecessária, esse suposto poder que acham que uma funcional e uma arma tem.
    Chegaremos para fazer a diferença, e mostrar que seremos policiais exemplos, assim como nosso ilustre Sandro.
    Boa sorte a todos.

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  6. o pessoal quer mais é ser celebridade, quer ter status, quer esfregar o poder na cara dos outros.
    O ego é maior que as atribuições do cargo e esquecem que o concurso é para polícia.
    Espero sinceramente que possamos dar uma cara nova ao departamento.
    Que prevaleça o todo e não apenas um.

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  7. Vinicius
    Quanto a essas verdades, gostaria de fazer alguns comentários:
    Sou servidor do judiciário, e convivo com "estrelas", e há muito tenho observado esse comportamento em Magistrados, Membros e Delegados. O que quero acrescentar é que esse comportamento, muitas vezes é respaldado principalmente pela falta de união ou outros sentimentos desagregadores dos subalternos, que fazem com que cada um que se sujeita às injustiças esteja sozinho, contra toda a “força do cargo”. Acho saudável esperar que pessoas mais sensatas ocupem tais cargos, mas não dá pra apoiar-se nisso, é preciso mudar essa visão. Será que um Delegado conseguiria trocar todos os policiais se estes não se submetessem aos delírios de grandeza dele? No judiciário, vejo os servidores fazerem grande parte do serviço do magistrado, se matarem de trabalhar pra fazer o que não é atribuição deles e mal ajudar um companheiro de trabalho. Muito da culpa por isso é da classe. Não trabalho em Delegacia, não posso ser leviano e indicar o erro, mas acredito que seja o mesmo encontro no judiciário e a única forma que vejo de resolver isso é tirando do individual e trazendo pro coletivo (é o que eles fazem, mesmo sem precisar). Um sindicato sério aliado ao bom senso, acredito ser uma boa forma.

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  8. Vaidades humanas...sempre existirão. Lidar com elas requer sabedoria, e muita, que só Deus pode dar.

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  9. Boa tarde,Sandro

    Visitei o seu blog e gostei do que vi nele.Tu ten agora um novo seguidor.O meu blog fala sobre as forças especiais do Brasil e saliento bem isso:a modernidade,atualidade e curiosidades do velho e do novo das forças especiais do mundo.

    Abraço
    Mentes de comandos blog

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