quinta-feira, 27 de maio de 2010

Polícia Federal: Segurança de Autoridades


Um dos serviços mais profissionais dentro do Departamento de Polícia Federal, sem sombra de dúvidas, é o de Segurança de Dignitários. Lembro bem das aulas que tive sobre o assunto na Academia Nacional de Polícia e o quanto isso me fascinou.

Assim que tomei posse na Superintendência do Rio de Janeiro, uma das minhas tendências era ir para a antiga DOPS ( Delegacia de Ordem Política e Social ) onde se encontrava o Núcleo de Segurança de Dignitários. Infelizmente, o Diretor Regional de Polícia, que hoje seria o DREX, achou-me “despojado” demais, para fazer parte daquele time.

Deve-se levar em consideração, que policiais com grandes compromissos familiares não se adaptam muito bem ao trabalho de segurança de autoridades, uma vez que os horários são os mais variados e surpreendentes. O que dita o horário da equipe é o cotidiano do dignitário. Diante disso, os dias podem ter até 25 h, pois existem autoridades que simplesmente não param.

Mas, independente de ser do Núcleo de Segurança de Dignitários, absolutamente TODOS os policiais federais do país, em algum momento, serão obrigados a tirar os ternos do armário, para participar de algum grande evento, onde a presença maciça de autoridades e chefes de estado acaba acontecendo.

Um mês e meio após tomar posse, eu e outros novatos fomos escalados para a segurança de um encontro de chefes de estado que ocorreria no Rio de Janeiro. Lembro das orientações do legendário APF Porto, um decano do NSD, sobre a forma que nós, novatos deveríamos nos portar no evento.

Lembro também da cara de ira dele, quando eu e um colega chegamos ostentando gravatas de Cartoons. A minha do Marvin, o marciano da Turma do Pernalonga, e a do colega que era do próprio Pernalonga. Tanto falou em nossos ouvidos, que trocamos as gravatas.

Participei de vários eventos, nos quais me misturei às autoridades, comi as mesmas coisas que elas e me diverti com suas esquisitices. No evento chamado “Rio+10”, que seria uma continuação da Eco 92, fiquei responsável pela segurança de um ministro holandês, chamado Mr. Pronk. Parecia ser uma sumidade em meio ambiente. O problema é que o tal Pronk queria ver qualquer coisa na frente dele, menos equipes de segurança.

Assim que fomos buscá-lo no Aeroporto do Rio de Janeiro, ele simplesmente desviou de nós e pegou um taxi com o seu ajudante. Quando fomos alertados pelo pessoal do aeroporto, saímos em disparada pela Linha Amarela, Linha Vermelha, conseguindo alcançá-lo na perimetral. No Copacabana Palace, mantive o primeiro contato com o ajudante do ministro, que informou que nós poderíamos ir embora, pois o dignitário ficaria no hotel e sairia apenas no dia seguinte pela manhã, para a conferência que ocorreria no Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo.

Após a conferência do dia seguinte, o tal Mr. Pronk mais uma vez aprontou, entrando em um ônibus do terceiro escalão, pois não queria escolta. Mais uma vez, interceptamos o ônibus a quilômetros de distância. Apesar disso, não há do que reclamar do glorioso Pronk. Era uma pessoa séria.

Muitos dignitários varam as noites freqüentando lugares nem tão recomendados. E nós, da segurança, somos obrigados a estar por perto.

Mas a pior de todas ocorreu em uma segurança que minha equipe fez em uma pousada de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Após chegarmos ao local, estávamos descansando em poltronas do hall da pousada, quando a dona, uma idosa ( que mais tarde descobrimos ser alcoólatra ) pegou o telefone sem fio e, na nossa frente, ligou para o pessoal do Ministério das Relações Exteriores, perguntando onde estavam os agentes federais, porque aqueles que estavam lá (nós), estávamos muito mal ajambrados, parecendo mulambos mal vestidos, que não tinham onde cair mortos e estavam sujando a pousada dela.

Meu amigo cujo apelido é “Tosco”, entrou em franco combate verbal com a idosa, o que me garantiu boas horas de gargalhadas depois. Mais tarde, quando nós já estávamos ocupando nossos postos, vestidos com os impecáveis ternos, a mesma idosa surgiu, com uma cesta cheia de lanternas, que distribuiu entre nós e ordenou que fizéssemos rondas na propriedade. Uma figura enlouquecida, realmente.

Muitas histórias são oriundas das seguranças. Pancadarias entre equipes de países diferentes e entre equipes de órgãos diferentes. Minha equipe mesmo, na segurança do Mr. Pronk, acabou chegando às vias de fato com meia dúzia de arrogantes do Gabinete de Segurança Institucional. Para matar a curiosidade de vocês, saibam que levamos a melhor na briga. E hoje, dou graças a Deus pelo fato da imprensa não ter fotografado a pancadaria.

Grande abraço

Quero deixar evidente aqui, a minha admiração pelo trabalho realizado pelo GSI. O fato descrito acima ocorreu por conta de exageros de um ou outro integrante do Gabinete e foi colocado no post de forma bem-humorada e sem ressentimentos.

15 comentários:

  1. Hoje à tarde me dei conta de como certas coisas entram na nossa vida! Percebi que não tem um dia se quer que eu não entre no Blog duas ou três vezes ansioso para ver se tem um Post novo e quando vejo que sim fico entusiasmadissímo!!
    Obrigado Sandro por fazer parte das nossas vidas!

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    digo o mesmo

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  3. digo o mesmo


    e quando descobri o blog passei um final de semana inteiro lendo as postagens anteriores

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  4. Olá meu amigo Sandro.

    Estou numa correria muito grande estudando para PF. Tenho entrado pouco, mas quando entro, não posso deixar de dizer que a cada post, você nos anima mais.
    Um grande abraço...

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  5. Valeu pelo post Sandro!!

    Estudei um pouco sobre Seg Dignatários para o TRF, achei muito interessante...

    Valeu pelo estímulo!!

    Abraço.

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  6. Imagino a cena PF vs GSI... Que baixaria né Sandrão. Sempre tem os arrogantes de plantão. Que bom que se deram bem.

    Abraços.
    Que melhore o joelho logo.

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  7. Só uma pequena observação. Acho estranho, que no post de baixo você usa uma camisa escrito "ética" e no post seguinte se refere de forma depreciativa a outra instituição. Será que não é frustração porque não é a PF mas o GSI que faz a proteção do presidente da república?

    Abraços,

    Marcelo Castro

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  8. Prezado Marcelo Castro,

    Nenhuma frustração, posso lhe garantir.
    Aliás,um dos militares que estavam na segurança do Presidente naquele dia, hoje é Agente Federal e somos amigos. Damos sempre boas risadas daquele dia.
    Peço desculpas se soou depreciativo o texto, mas a arrogância abundou naquele momento. Saiba que eu fui violentamente puxado pelo braço por um deles, sem tê-lo destratado em instante algum. Como eles, eu estava trabalhando. Não havia razão para violência, para arrogância ou truculência. Mas foi o que houve.
    Enfim, passou.
    Tenho profundo respeito pelo GSI, pois meu próprio pai já compôs segurança do Presidente, na década de 70.
    Se soou mal.
    Minhas desculpas a todos.
    Grande abraço, meu caro.

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  9. Olá Sandro!
    Tenho uma dúvida:
    Dizem que na época do Governo FHC,a Polícia Federal era subordinada ao DEA estadunidense, isso é verídico ?
    Um forte abraço!!!

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  10. É Realmente Sando seus posts são os melhores
    todo dia acesso seu blog a fim de encontrar novas postagens pois elas nos deixam vidrados e fazem com que lemos o poste de inicio ao fim .

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  11. Alguém pode me informar a forma de ingresso no GSI? Grato!!!

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  12. Ola meu maior objetivo é ser policial federal e formie em direito e pela necessidade tenho que trabalhar e tenho estudado pouo mas Deus me ajudara, o admiro muito Sandro, Parabens e quem nos encontraremos. o bom da vida é que mesmo a familia nao dando o apii que precisamos para realziar um sonho, encontramos pessoas como voce sandro que nos apoia muito obrigada - monica lima - monicalimaadv@gmail.com - Paulista/pe

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  13. Parabéns pelo seu trabalho e dedicação Sandro!

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