sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Contextos Urbanos:A Guerra que Vivemos


Eu tenho um amigo chamado Ary, que argumentou comigo sobre a presença de armas de guerra nas mãos dos bandidos cariocas e do resto do Brasil também. Segundo ele, essas armas não são fabricadas aqui e para chegarem aos arsenais do crime muitas falhas devem ocorrer.

Concordo com o Ary. O Rio de Janeiro não fabrica armas de guerra. E mesmo se fabricasse, não seriam acessíveis aos soldados do crime. As falhas na fiscalização são gritantes e é exatamente por isso que é possível se organizar criminosamente no Brasil, com relativa facilidade.

Muito se fala em planejamentos que sejam capazes de reduzir os índices de criminalidade no médio e no longo prazo. Eu mesmo sou defensor da implementação de políticas sociais sérias nos focos do problema, que são as áreas mais desfavorecidas da sociedade. Uma ação multidisciplinar, nas quais o triângulo família, educação e esportes seja o carro-chefe.

Entretanto, vivemos um estado de guerra. Pois armas de guerra configuram uma situação de beligerância extrema. E a maior parte desses criminosos entrincheirados em suas casamatas não se deixarão mais convencer por oportunidades de ascensão numa distante sociedade mais equilibrada.

O que fazer então? Alguém em sã consciência acredita que é possível fazer esses criminosos, acostumados com o fluxo do dinheiro das ações ilícitas, depor as armas e ingressar no disputado mercado de trabalho, sem qualificação de qualquer espécie? O que esperar da Polícia? Deveriam os policiais tentar um diálogo franco com os delinquentes, para que esses desistam da vida criminosa? Uma conversa ao “pé do ouvido”, talvez, para convencê-los de que não devem atirar nas pessoas.

Larguemos então a utopia, os sonhos pueris. Existem leis que precisam ser cumpridas. Uma sociedade que tem uma parcela que defende tanto o desarmamento do cidadão, deve ter em mente que se um indivíduo detém a posse ilegal de uma arma de guerra é obrigação da Polícia tomar essa arma dele. E isso, de forma óbvia, não será feito atirando flores aos bandidos. Jamais.

Até porque, um indivíduo que tem a capacidade de empunhar um armamento letal e dispará-lo contra os representantes da lei assume o risco de ser morto nessa guerra. É uma equação simples. E não existe “coitadismo” para esses “soldados” do terror. Foram sim, gerados por uma sociedade segregadora e pouco preocupada com valores éticos, mas a opção por entrar na guerra é exclusivamente do homem. Ninguém obriga ninguém a empunhar armas.

Não existe receita certa para situações de violência. Para cada caso, há uma gama de reações possíveis. Devemos aprender a escolher a melhor para cada situação. O investimento na área social deve ser maciço, bem planejado e sério. Os políticos precisam parar de querer colocar sua “assinatura” nos projetos de base social e pensar na sociedade como um todo. E em paralelo, é preciso fazer uma polícia moderna o suficiente, para combater as armas de guerra com a capacidade de causar o mínimo dano colateral para todos nós.

Contextos Urbanos: A Moral Irretocável dos Linchadores


Não hesita em passar por cima do colega para conseguir melhores posições no trabalho. Para sem grandes preocupações em vagas de idosos, deficientes ou mesmo impedindo o trânsito na ciclovia. Utiliza artifícios diversos para pagar menos imposto do que deve. Ou para receber mais do que lhe é devido.

Esconde-se atrás de falsa moral. Invariavelmente, tem vida dupla em qualquer um dos aspectos da sua existência. Propaga boatos. Mantém perfis secretos em redes sociais. Acredita intimamente que um mundo sem pobres seria melhor, não pelo fato dos pobres deixarem essa condição, mas pela possibilidade de não mais saber que eles estão por perto, deixando a paisagem mais feia. É parado em blitz da polícia, com documentos e outras coisas irregulares e é o primeiro a se insinuar para os policiais, sugerindo pagar um “café” para ser liberado. Acha um absurdo que políticos não cumpram a lei, mas faz vista grossa quando filhos menores bebem na sua frente. Na verdade, fica até orgulhoso. E se esses filhos têm mau comportamento na escola ou em qualquer outro ambiente, ao invés de repreendê-los, torna-se inimigo daqueles que ousaram criticar tal postura.

Pessoas com moral irretocável e conduta sem erros, que se julgam capazes de defender o linchamento até a morte de suspeitos de crimes em qualquer lugar do Brasil. Perguntam:

“Se fosse com alguém da sua família? Você não ia querer vingança?”

Talvez. Mas falará mais alto algo que faz com que eu seja diferente de 99% dos animais do planeta. Meu pensamento. Se sou capaz de raciocinar minimamente, a coerência dos meus próprios atos salta aos meus olhos.

Muitas vezes incentivei a população a reagir diante do caos. Não vejo com maus olhos o ímpeto de quem corre atrás de um trombadinha e é capaz de pegá-lo após um roubo. Eu mesmo já fiz isso algumas vezes. Mas minha participação como cidadão termina com a chegada da polícia e a entrega do criminoso às mãos do Estado.

Que carta branca é essa, que alguns pensam possuir, para fazer justiça com as próprias mãos? Então devemos nos tornar mais selvagens que os selvagens? Sim, eu acho extremos os crimes contra a vida. Mas tenho consciência da minha natureza humana, para conhecer erros cometidos na minha própria existência. Além disso, sem meias palavras, fica evidente o ódio seletivo e racista que abunda nesta terra. Um suspeito negro capturado pela multidão tem uma chance infinitamente maior de ser espancado até a morte. O brasileiro é assim. Acha que não é racista e fica possesso quando afirmam isso para ele. Talvez pelo incômodo da verdade.

Mesmo com o incômodo, os que se julgam perfeitos seguirão acreditando que combater a violência com violências maiores é a única solução. Esquecem que até o mais iletrado dos criminosos está cansado de conhecer a hipocrisia que se alastra entre nós.

sábado, 22 de agosto de 2015

Mulher na Polícia




Renata Guaraciaba

Policial Civil

Atleta

Advogada

Dona de casa......................................Mulher na Polícia

Contextos Urbanos: Prender e exterminar os nocivos



“Prender aqueles que julgamos nocivos. Se possível, esquecer deles na prisão. Mas, melhor ainda se pudermos exterminá-los.

Afinal, são culpados por todas as desgraças pelas quais passamos.”

Contundente, não? Quem pode duvidar que tais palavras retratam o pensamento de boa parte da sociedade brasileira? Poderíamos, então, atribuir sua autoria a qualquer um, entre aqueles que apostam suas fichas na limpeza seletiva entre os que parecem nocivos. Muitos dizem que uma parcela considerável do dinheiro desviado nos escândalos de corrupção deveria ser usada para construir mais presídios. Leio as colocações de indivíduos que comparam TODOS os custodiados do sistema carcerário a ratos. Será?

Diante de um sistema investigativo risível como o nosso, é realmente possível afirmar a culpa desse quase milhão de homens e mulheres? Os diversos difusores das palavras do início deste artigo são os mesmos que fazem pouco caso das possibilidades de ressocialização real de detentos, colocando TODOS na vala comum dos criminosos por natureza. Ou ainda defendem a construção de mais vagas para presos, para abrigar os novos contemplados, com a redução da maioridade penal.

A força daquelas frases também encontra eco nos corações dos que caminham pelo mundo a dizer que “bandido bom é bandido morto”. Os mesmos que são capazes de olhar uma criança e, apenas por sua origem, indumentária e modos, profetizar: “Está aí um projeto de marginal.” Meio “instintivamente”, evitam o convívio de seus filhos com esses seres ameaçadores. Afinal, “é melhor evitar problemas.” A segurança tem se tornado artigo de luxo e apenas uma minoria de privilegiados pode adquiri-la ao custo de somas cada vez maiores de dinheiro. Apesar de concordar que a violência anda descontrolada e também me identificar como vítima dela, preciso dizer que nenhum progresso será obtido no curto prazo. A atitude meramente reativa dos gestores de segurança do Brasil inteiro em nada contribuirá para o estabelecimento de um cenário onde a paz predomine. As medidas devem ser visando o médio e o longo prazo.

Para alterar o curso de uma sociedade acostumada a corromper, ser corrompida e segregar quase que por “esporte”, é preciso um trabalho conjunto de várias frentes. Não é policial. Não é educacional. Não é esportivo. Não é da família. É um trabalho que precisa de todas essas frentes e muitas outras juntas. A sociedade precisa trabalhar de verdade, com atitude e com o espírito elevado, para que o cenário mude. Quanto à frase que introduziu o artigo, é uma adaptação de um discurso de Adolf Hitler. Mas poderia ser Mussolini, Stalin, ou qualquer outro ditador da história da humanidade.

domingo, 16 de agosto de 2015

Segurança Pública e as Manifestações de Rua

Contextos Urbanos: Bandido gosta de ser bandido




Um dia desses eu li que boa parte da população brasileira acredita que os bandidos são bandidos porque gostam de ser. Fui obrigado a concordar. Segundo essa parcela dos brasileiros, os bandidos já nascem bandidos e a solução para eles é aumentar o número de vagas nos presídios e construir um número crescente desses estabelecimentos de “ressocialização”.

Pergunto a você, intrépido leitor, que parâmetros esse exército de sociopatas teria, desde o seu nascimento? Se já nascem monstros com o instinto cruel e impiedoso, poderiam encontrar em boas referências as chances de redenção. Entretanto, o que encontram é a antítese disso: governantes e políticos de qualidade risível, olhando apenas pelo lado da competência. Até os ícones esportivos e artísticos são pobres de espírito. Preocupam-se mais em ostentar vidas fora da realidade dos simples mortais, exaltando a indolência e a falta de estudos, que exercitar a verdadeira humildade e dar verdadeiros exemplos de postura. Hoje, um adolescente que copia um ídolo tem grandes chances de ser um analfabeto funcional, com tendências narcisistas descontroladas.

Quando um “psicopata” desses, observa a forma como a sociedade brasileira trata os menos afortunados, provavelmente ficará bastante satisfeito com a “generosidade” dessa mesma sociedade, que desde 1500 faz questão de criar abismos intransponíveis nos mais diversos segmentos. Mais adiante, o degenerado bandido se depara com uma roubalheira institucionalizada. Provavelmente está no DNA da nação colonizada por degredados da pior estirpe. Mais uma vez o bandido por natureza, seja rico ou pobre, tem um bom parâmetro para desenvolver seus talentos de predador. Nossa nação se acostumou a errar. E justificar os próprios erros nos erros dos outros, em um eterno ciclo vicioso. Apontar para o lado é mais fácil que olhar para si mesmo e tentar corrigir a falta de escrúpulos, a ética quase inexistente e a desonestidade que assola a nossa sociedade como uma epidemia. O mais importante é a palavra EU. Que se dane o mundo para uma multidão de egoístas. Que fazem discursos nas redes sociais reclamando da educação pública, mas se incomodam quando os filhos dividem espaço com os alunos dos colégios municipais e estaduais.

Diante de um mundo como este, que os recebe desde que são paridos, seja num corredor de hospital público ou num apartamento vip de uma maternidade particular, esses indivíduos de índole perversa só têm mesmo razões para aperfeiçoar sua maldade. Seguramente terão cada vez menos pena dessa sociedade que dificilmente terá coragem de encarar a si mesma, para perceber o quanto seu comportamento é capaz de dar prazer àqueles que cometem atrocidades.
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